quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cenário Noturno


A noite se aproxima junto às mariposas que voam em circundantes movimentos entre as lâmpadas dos postes, e quando a noite chega, as andorinhas dançam revoadas entre as árvores da praça, as corujas voam rapinantes e distraídas nos jardins dos mortos. A noite chega quando os morcegos se encontram preparados sobre a copa das sete copas enquanto o vento sussurra a morte. Nota-se sua chegada pelo latido do cachorro que por pouco não uiva, pelo miado do gato sobre muros e telhados, nota-se pelo cricrilar dos grilos na janela, pelo inebriante perfume da dama-da-noite vestida de primavera, nota-se pelas lágrimas que escorrem pelo rosto no breu da solidão. A noite chega quando as ruas se silenciam e os postes nada mais iluminam senão o mistério da noite, a noite chega quando o apito do guarda marca o compasso da noite, quando as casas se trancam e os quartos guardam sonhos e temores, a noite chega quando o dia se transforma e os notívagos saem à procura da semente da manhã. Louanny Cury.

4 comentários:

  1. muito massa! Sem toda aquela viagem comum de encontrar em certos poemas ou textos.

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  2. Ao passar pela net encontrei o seu blog, estive a ler algumas coisas e posso dizer que é um blog fantástico,
    com um bom conteúdo, dou-lhe os meus parabéns.
    Se desejar faça uma vista ao Peregrino e sevo e deixe o seu comentário.
    Sou António Batalha, do Peregrino E Servo.

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