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domingo, 26 de setembro de 2010

Aos passos lentos sigo à espera de um convite animador. Sinto-o no ar. Nas pontas dos dedos e vejo as calçadas por onde você deixa seus passos. Abraço seu travesseiro e olho ao fundo nos seus olhos cheios de expectativas. Vejo-o dormir. Encaro seus chinelos no chão. Me deito. Levanto. Te encaro. Deito novamente. Penso em outra cama. Outra pessoa. Outra cortina. Outros olhos de afeto. Peço uma bebida forte onde eu possa afogar minhas confusões. Peço pra que vá embora, e que não me procure mais. E sem remorso você deixa o seu amor, vivendo das lembranças de nós dois (...)

Louanny Cury.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Meus pensamentos se lamentavam e todo e qualquer movimento significava um ponto de interrogação, uma dúvida ou uma incógnita. Diacho! Mas será mesmo? Que lá no fundo não havia luz para saber exatamente as respostas de uma mente insana, de um coração leviano. Não era lógico, mas intuitivo. Com os olhos fechados, o sangue corria. Eu respirava e inspirava. O coração batia lento e forte o suficiente pra alcançar o ritmo das batidas do seu. Mãos geladas, o sorriso de minutos antes havia dissolvido. Ao longe via-se o reflexo dos seus olhos que olhavam seguro com necessidade de seguir a frente enxergando nada além do que realmente importava. Seus olhos apareceram na minha janela me oferecendo suspiros, amor, dias belos, flores, lua, sol, vento, música, filmes, livros. Mas eu recusei e você disse: impossível!

- Então você me abraçaria, por favor ?


Louanny Cury.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ontem esqueci os olhos por cima da sua imagem imaginando você me tocar a pele. De imaginar me arrepiava, mas não me movia. Se eu arrumasse de onde ter você certamente meu coração não bateria mais de tão sereno. No violão o som de ré maior já não me soa melhor que o tom da tua voz que há muito tempo não escuto. Sem palavras que expressem meu imaginário, deito-me por cima do diário. Procuro Chico Buarque para parafrasear quando, na verdade bastaria dizer tudo aquilo que há dias venho ensaiado à frente do espelho, vai ver o acaso entregou à alguém as palavras para lhe dizer o que eu diria (...) Onde está você hoje?

Louanny Cury.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Foi molesto. Forte. Algo a se sentir além da própria dor. Muito mais que a dor do seu perdão árduo. Da sua sombra de dúvida. Da sua ferida que mesmo cicatrizada ainda dói. Do seu orgulho. Da melancolia que se esconde por trás do seu espelho por receio do reflexo ser forte demais, e lhe fazer sofrer um verão inteiro enquanto você vivesse ainda o inverno da tua alma inquieta. Das suas tardes e noites perdidas aos prantos. Das suas madrugadas e manhãs em sono profundo e incômodo. Da sua hipocondria isolada. Da sua febre. Do seu azar. Do seu erro. Da sua indiferença que dói mais que qualquer valor. Da dor de cada lágrima estúpida, fraca, imprecisa, e inválida. Da sua distorção ao falar. Ao pensar. Ao imaginar. Mas como tudo é um ciclo, amanhã você se refaz de todas as suas fraquezas e me apresenta a sua música do dia.

Louanny Cury.

terça-feira, 15 de junho de 2010






Você me embala na sua dança, e acima de nós, a Lua reflete a luz do seu sorriso. Seus dedos quentes desenham uma aurora boreal na minha nuca. Meus dedos do pé estalam aos passos dos meus suspiros quando nossos olhares se cruzam. Você prende a respiração, e flutua. E eu, fecho meus olhos até sonhar. É sempre assim, você me toca a música mais linda do mundo, sua voz.

Louanny Cury.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Todas as vaidades. Todos os amantes apaixonados. Todas as mentes inertes enquanto eu tentava ser, apenas ser. Todos os televisores desligados e todos os corpos intactos. Uma história. Uma vida inteira de páginas em branco. De páginas perfeitas. De vestes amarrotadas. Quando meu olhar aprender a falar menos, estarei longe de você. Distante de nós. Com nossa história guardada a sete chaves (...)

Louanny Cury.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cinderela!




Cinderela conviveu parte de sua vida com uma madrasta má e suas irmãs postiças. Era obrigada a lavar, passar e cozinhar sem qualquer remuneração. A ausência da sociabilidade e comunicação fez com que Cinderela apresentasse diversos transtornos psicológicos, como: acreditar que os animais conversavam. As alucinações pioraram quando a gata borralheira fez da vodka sua grande aliada. E assim iniciou-se o alcoolismo, que passou a ser constante na vida de Cinderela. Quando divulgada a notícia do grande baile Cinderela entrou em êxtase, trabalhou durante semanas a fim de um vestido que enfatizasse suas curvas e combinasse com seu tom de pele, fazendo-a parecer à mulher mais linda do reino. Sabe-se que Cinderela sempre foi invejada por suas irmãs postiças, que no dia do baile notaram que se Cinderela comparecesse, estas não teriam chance alguma com o príncipe e por isso, suas irmãs postiças decidiram sabotá-la de maneira cruel, rasgando seu vestido, seu colar de pérolas e desmanchando seu penteado. Logo, partiram para o baile aos risos. Cinderela nunca bebera tanto como naquela noite de Lua Nova. Bebeu em demasia e alucinou com carruagens de abóboras gigantes e fadas.

- Quer dizer então que Cinderela não foi ao baile?
- Como Cinderela conheceu o príncipe?

Sim, Cinderela presenciou o grande baile. O que aconteceu foi que através das alucinações Cinderela roubou um vestido antigo da madrasta má que, outrora tivera um corpo esbelto. E ao chegar, o príncipe se interessou por Cinderela. Tiveram uma breve dança, mas como Cinderela se encontrava ainda sob efeito do álcool, imaginou que sua fada madrinha houvesse dito que o encanto quebraria a meia noite. É claro que já se passava das três horas da madrugada. Logo Cinderela partiu cambaleante sobre as sombras da escuridão, e nunca mais se escutou comentar sobre Cinderela (...)

Louanny Cury.