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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Foi molesto. Forte. Algo a se sentir além da própria dor. Muito mais que a dor do seu perdão árduo. Da sua sombra de dúvida. Da sua ferida que mesmo cicatrizada ainda dói. Do seu orgulho. Da melancolia que se esconde por trás do seu espelho por receio do reflexo ser forte demais, e lhe fazer sofrer um verão inteiro enquanto você vivesse ainda o inverno da tua alma inquieta. Das suas tardes e noites perdidas aos prantos. Das suas madrugadas e manhãs em sono profundo e incômodo. Da sua hipocondria isolada. Da sua febre. Do seu azar. Do seu erro. Da sua indiferença que dói mais que qualquer valor. Da dor de cada lágrima estúpida, fraca, imprecisa, e inválida. Da sua distorção ao falar. Ao pensar. Ao imaginar. Mas como tudo é um ciclo, amanhã você se refaz de todas as suas fraquezas e me apresenta a sua música do dia.

Louanny Cury.

terça-feira, 15 de junho de 2010






Você me embala na sua dança, e acima de nós, a Lua reflete a luz do seu sorriso. Seus dedos quentes desenham uma aurora boreal na minha nuca. Meus dedos do pé estalam aos passos dos meus suspiros quando nossos olhares se cruzam. Você prende a respiração, e flutua. E eu, fecho meus olhos até sonhar. É sempre assim, você me toca a música mais linda do mundo, sua voz.

Louanny Cury.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Todas as vaidades. Todos os amantes apaixonados. Todas as mentes inertes enquanto eu tentava ser, apenas ser. Todos os televisores desligados e todos os corpos intactos. Uma história. Uma vida inteira de páginas em branco. De páginas perfeitas. De vestes amarrotadas. Quando meu olhar aprender a falar menos, estarei longe de você. Distante de nós. Com nossa história guardada a sete chaves (...)

Louanny Cury.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cinderela!




Cinderela conviveu parte de sua vida com uma madrasta má e suas irmãs postiças. Era obrigada a lavar, passar e cozinhar sem qualquer remuneração. A ausência da sociabilidade e comunicação fez com que Cinderela apresentasse diversos transtornos psicológicos, como: acreditar que os animais conversavam. As alucinações pioraram quando a gata borralheira fez da vodka sua grande aliada. E assim iniciou-se o alcoolismo, que passou a ser constante na vida de Cinderela. Quando divulgada a notícia do grande baile Cinderela entrou em êxtase, trabalhou durante semanas a fim de um vestido que enfatizasse suas curvas e combinasse com seu tom de pele, fazendo-a parecer à mulher mais linda do reino. Sabe-se que Cinderela sempre foi invejada por suas irmãs postiças, que no dia do baile notaram que se Cinderela comparecesse, estas não teriam chance alguma com o príncipe e por isso, suas irmãs postiças decidiram sabotá-la de maneira cruel, rasgando seu vestido, seu colar de pérolas e desmanchando seu penteado. Logo, partiram para o baile aos risos. Cinderela nunca bebera tanto como naquela noite de Lua Nova. Bebeu em demasia e alucinou com carruagens de abóboras gigantes e fadas.

- Quer dizer então que Cinderela não foi ao baile?
- Como Cinderela conheceu o príncipe?

Sim, Cinderela presenciou o grande baile. O que aconteceu foi que através das alucinações Cinderela roubou um vestido antigo da madrasta má que, outrora tivera um corpo esbelto. E ao chegar, o príncipe se interessou por Cinderela. Tiveram uma breve dança, mas como Cinderela se encontrava ainda sob efeito do álcool, imaginou que sua fada madrinha houvesse dito que o encanto quebraria a meia noite. É claro que já se passava das três horas da madrugada. Logo Cinderela partiu cambaleante sobre as sombras da escuridão, e nunca mais se escutou comentar sobre Cinderela (...)

Louanny Cury.

sábado, 15 de maio de 2010

O peso da alma. O chão na mão. O teto no pé. Desabaram tijolos sobre os sonhos trazendo mais um pesadelo. Realidade nua. Alma erótica. Menina casta. Sou um ser cheio. Cheio de mim e oco de nós. Um desejo insaciável. Uma alma saciável. Um cenário colorido. Um arco-íris em tons cinza. Passado sépia. Presente em cores. Futuro obscuro. Tons neutros. Escuro. Chove pregos em mim (...)

Louanny Cury.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Meus olhos fixados a sua imagem ardem ao te relembrar. Eles lacrimejam quando escutam o seu nome. E em algum momento essas lágrimas parecem que irão cair sobre minha pálida face. Mas ao fundo eu sei a falta que você não me faz. É como me olhar no espelho e não conseguir enxergar meu reflexo. Seu reflexo nos meus olhos. É como uma nova página, em branco. É como uma história, sem passado. Sou eu e meu futuro, pra lá de promissor (...)

Louanny Cury.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

devana diz:
Silêncio no estúdio.
Gravando!
- Eu nunca vou esquecer broto, do dia em que você desmanchou meu topete.
Daquela bofetada no cinema.
Eu até estava disposto a te perdoar (...)
Aquele arranhão que você fez na minha motocicleta, nem foi caro consertar.
Vendi meu blusão pra te dar aquele vestido ‘chinfra’ que você queria.
Até comprei briga como João valentão.
Agora desmanchar meu topete, broto, isso foi imperdoável!

L. diz:
- Ah e o que te acrescenta esse Topete imbecil?
E aquele vestido ‘chinfra’? O que era aquilo? Uma joaninha gigante-ambulante?
Quanto ao arranhão na motocicleta. Foi pouco.
Eu devia mesmo era ter sumido com todos os teus potes de gel, e cortado teus cabelos na navalha.

devana diz:
- Garota, você se derrete todinha pelo meu topete.
Só fez aquilo porque eu estava conversando com Lili na grama. Mostrando meu disco novo do João Penca pra ela.
Você é um broto do mal!
Eu descobri a verdade sobre você.

L. diz:
- Lili? E que ciúme me causaria aquele resto de aborto montado como um quebra-cabeça pela mãe arrependida. Aquele rascunho de desenho infantil. Ela me causa uma interrogação enorme no peito, me pergunto de onde é que vem taaaanta... Você sabe não é?
Não me interessa esse teu topete idiota. Tua coleção de vinis.
Nem a sua verdade que é tão feia quanto a minha realidade!

devana diz:
- Não venha com poesia pro meu lado não, Lolly.
Você sabe que eu sou o maior valentão do bairro não sabe?
Eu roubei essas flores de João valentão pra você!
Ele ia dar elas para Lili.
Mas acho que ela não vai mais querer ver ele com o estrago que eu fiz nele.
Aceita essas tulipas?

L. diz:
- Ha HÁ ha! Não seja ridículo.
Se quer saber, estou gostando mesmo é de Jack.
E não estou dando a mínima pra você! Nem para suas mil aventuras com Lili.

devana diz:
- QUEM È ESSE TAL DE JACK?
Eu conheço?
É algum frangote?
Será que ele aguenta no muque comigo?

L. diz:
- Não é o Valentão Teddy?
Então, vá à investigação! Ao encontrar, arrisque!
Aposte todas suas cartas de pôquer.
Enquanto lhe desejo:
Má sorte!

devana diz:
- Azar no jogo, sorte no amor e na porrada.
O que é que esse Jack tem que eu não tenho, hein?

L. diz:
- Você quer dizer: O que ele não tem que você tem, não é ?

devana diz:
- Por acaso ele anda na lambreta a 100 km por hora com você fugindo da polícia?

L. diz:
- (...) O que ele não tem Teddy, é esse topete ridículo e essa prepotência dissimulada!

devana diz:
- Por acaso ele sabe cantar todas as canções do Roberto e Erasmo Carlos pra você, aquelas que você adora?
Por acaso Jack sabe te dar um beijo tão violento quanto o meu?

L. diz:
- “O calhambeque bi-bi, quero conservar o calhambeque, bibidhubidhubidhu... " (8)
É claro que sabe Teddy. Você não é 30% do que é Jack.
Na cama então, juro! Dá um filme.
Um dia eu faço, e ainda lhe dou de presente autografado por nós.
Vai ser bonito!

devana diz:
- Broto, você me magoou, me magoou pra valer, e desmanchou meu topete. (Snif)
Não quero te ver nunca mais!
EPÌLOGO:
Teddy dá um beijo ultra violento em Lolly.
Ela fica bamba e cai no chão, com uma expressão sedenta.
Teddy não se importa.
Teddy entra no seu cadilac vermelho.
Teddy bate a porta com força.
Teddy pega o seu violão folk com cores de fogo.

L. diz:
Lolly se levanta. Consegue alcançar Teddy. Eles voltam para o barraco. Caem na cama, e transam até que o abajur quebre!
E aproveita para assistir uma sessão de filmes orientais com Lolly.

devana diz:
Teddy atira o violão ao chão com força partindo-o em dois.
O que só aconteceria na imaginação de Lolly.
Porque Teddy está em cima do cadilac gritando:
- “Nunca mais vou tocar nada pra você sua vadia"
Teddy pega seu cadilac e desce a rua augusta a 120 por hora.

L. diz:
- “Mas eu sempre desmancharei seu topete idiota, seu cachorro!"

devana diz:
Teddy derrapa na curva, bate numa árvore.

L. diz:
E MORRE!
No fim, Lolly é muito feliz com Jack.

devana diz:
No som do carro, toca "matinê no Rian"

L. diz:
Não porra!
Você morre!

devana diz:
Na árvore, está gravado um coração com as inscrições: “Lolly e Teddy eternamente."

L. diz:
- Ah não seja tão... Melado vai!

devana diz:
- Eu gosto de melodrama!

L. diz:
- Romantismo é conversa de botequim.

devana diz:
- Eu sou melodramático, oras!

L. diz:
- Não mete esse melodrama.
Você morre.
E eu sou feliz com Jack.
Tem fim mais bonito?
Não!

devana diz:
Oxe, eu coloquei meu ultra romantismo e você colocou o seu realismo pré modernismo.
Os dois se complementam
Você ficou feliz com Jack eu morri insatisfeito!







Escrito Por: Louanny e Devana.